sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Minha mãe, a Açoriana, e Matilde, nossa ex babá, temiam que a dedicação à Literatura me tornasse uma solteirona, e me ofereciam ostensivamente aos filhos de estancieiros vizinhos que nos visitavam. Elas elogiavam exageradamente minha beleza na frente deles, o que me constrangia. Eu percebia que estava à venda. O que me salvava da revolta e do ressentimento era o senso de humor incentivado pelo Vati (papai). Tornei-me cínica sem vulgaridade graças a ele, à sua sabedoria..." (entrevista com Alma Welt)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Sinto que não completei dentro de mim a relação com minha mãe, relação que foi truncada por um trauma. Depois perdi a possiblidade de fechamento do ciclo, com sua perda aos meus 16 anos. Em compensação tive a plenitude de um pai amoroso e culto, incentivador da minha arte. Um verdadeiro esteio da minha poesia. Conversando sobre isso com o Guilherme de Faria, ele me disse que com ele foi exatamente o contrário..." (entrevista com Alma Welt)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Uma jornalista de Porto Alegre veio me entrevistar aqui na estância. Mostrei a ela a biblioteca de meu pai, seu piano Steinway,  a varanda, o jardim, o pomar, a macieira do meu exílio e... depois fomos cavalgar na coxilha. Pouco falei. Convidei-a a passar a noite no casarão para ver meus fantasmas. Ao amanhecer ela disse estar apta a escrever um longo artigo, senão uma biografia. Ao despedir-se beijou-me nos lábios. Senti que ela iria escrever poesia. Um pequeno poema que resumiria tudo..." (Alma Welt)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"No final dos anos 50 começou a invasão da cultura americana no Brasil, expulsando a cultura francesa que nos dominava. A ponta de lança dessa nova cultura dominante era Hollywood, difícil de resistir. Que crianças resistiriam ao faroeste, ao chicletes, à coca-cola, os quadrinhos e os super-heróis? E aos gangsters, então, com todo aquele glamour?" (Alma Welt)
"Um país é subdesenvolvido quando os seus governos têm interesse em manter o povo na ignorância para melhor controlá-lo. Esse é nitidamente o caso do nosso país." (Alma Welt)
"Quando um homem tem silêncios ricos, isso se percebe e mais o respeitamos, pois conseguiu o grande feito da renúncia, se não da modéstia. Conheci um ou dois homens assim na minha vida, que me fizeram ter, por algum tempo, vergonha de falar e até de escrever..." (entrevista com Alma Welt)
"Eu prefiro ver o artista um tanto à parte da sociedade, pela isenção que isso lhe acarreta, do que inserido socialmente e portanto comprometido com o Sistema. Sei que isso constitui uma postura "romântica", mas que certamente incorpora os "malditos", esplêndidos artistas marginais e solitários. Eu mesma assim me considero e pago um alto preço por isso com a dificuldade de publicar meus livros e poemas fora da Internet..." (entrevista com Alma Welt)