terça-feira, 2 de dezembro de 2014
"Tenho mais pena dos que perderam a Felicidade do que dos que nunca a tiveram. Os primeiros são trágicos, os segundos são patéticos. Quanto a mim mesma, ganho e perco a minha felicidade a cada momento, dependendo de como penso nela. Suponho que nisso consiste o poeta: um ser mental, que as pessoas pensam ser puro coração..." (entrevista com Alma Welt)
"Quando guria, na estância, caí do balanço que havia na figueira do nosso pomar, bati a cabeça e desmaiei. Depois disso, no leito, enquanto convalescia comecei a escrever belos versos. Minha mãe, pragmática, dizia que a queda me deixou de miolo mole. Mas meu pai carinhosamente argumentou que isso acontecia porque eu fora expulsa do Paraíso, e precisava recordá-lo..." (entrevista com Alma Welt)
"Dizem os biógrafos que o grande pintor Jean-Baptiste Camille Corot era um homem muito puro e generoso. Era feliz, tinha sucesso e ganhava muito dinheiro com sua arte, mas ajudava os amigos pobres. Comprou uma casinha para Daumier que vivia quase na miséria com mulher e filhos, para ele não pagar mais aluguel. No leito de morte, Corot disse as mais belas últimas palavras que um artista poderia dizer: "Espero que no Céu haja pintura..." (Alma Welt)
"Uma vez perguntei a um velho sábio, meu amigo: "Se Judas se arrependeu de sua traição, a ponto de se suicidar, por quê então foi tão cruelmente condenado e execrado pelos homens, e pela História?" E o velho respondeu: "Porque perdeu a esperança. Aquele que perde a esperança abala o seu vizinho... " (Alma Welt)
"Depois que os americanos atiraram a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagazaky, plenamente conscientes do que ocorreria, já que tinham feito testes, terminou para sempre a legitimidade e ingenuidade do "sonho americano". Ninguém mais acredita. Nem eles mesmos. Mas alguém me perguntou: "Alma, então como eles conseguiram fazer um filme tão ingênuo e maravilhoso como "Cantando na Chuva", já nos anos 50? E o belo "PicNic"... e tantos outros filmes românticos?" Eu pensei em responder: "Não sei. Talvez fossem as "possibilidades extensivas" no dizer de Oswald Spengler, na sua " A Decadência do Ocidente"... Mas calei-me para não parecer pedante." (entrevista com Alma Welt)
"Depois do Holocausto, a humanidade perdeu a crença na sua suposta superioridade e elevação. Tornou-se mais cínica ainda, talvez para não cair no que hoje chamamos de "baixa auto-estima", e poder seguir com relativa altivez. Mas temo que ficou desmoralizada para sempre. Confesso que eu mesma evito o quanto possa o contato muito próximo com o ser humano comum, de rebanho, aquele que serve de exemplo da "banalidade do Mal", no dizer da Hannah Arendt, e só me relaciono com amigos eleitos." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
sábado, 19 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
"Sempre senti que a cada verso me construo. Por isso não pude parar. Sou uma criatura em permanente processo, em permanente edificação como a Babel dos homens. E como a Torre, também desmoronando e subindo no centro da algaravia do mundo. Mas esse é o destino do Poeta, patético e resoluto arquiteto das palavras, tão destruidor quanto construtor..." (Alma Welt)
"Uma vez, quando ainda criança em Novo Hamburgo (antes de nos mudarmos para o Pampa), um guri da vizinhança me beijou nos lábios à força. Fiquei tão perturbada e em conflito, com sentimentos e pensamentos tão ambíguos dentro de mim, que creio que essa contradição permanece até hoje. Sinto e penso uma coisa e seu contrário ao mesmo tempo. E isso seria doloroso, se não tivesse se transformado em Poesia..." (entrevista com Alma Welt)
terça-feira, 29 de abril de 2014
A Travessia (II) (de Alma Welt)
Quero que meus derradeiros pensamentos
Sejam todos para a Arte tão amada,
Que não foi pra mim apenas bons momentos
Porém todo o sentido da jornada.
Se meu rosto revelou-se nos meus versos
Então vivi a estória verdadeira
A que ocorre em duplos universos
Sem jamais perder a face corriqueira.
E assim na superfície de um espelho
Que se abriu para mim qual Mar Vermelho
Vi passar a minha vida refletida.
Em quatro mil sonetos belos desfilei
Na superfície aberta, desmedida,
Abismo em que pra achar-me atravessei...
Quero que meus derradeiros pensamentos
Sejam todos para a Arte tão amada,
Que não foi pra mim apenas bons momentos
Porém todo o sentido da jornada.
Se meu rosto revelou-se nos meus versos
Então vivi a estória verdadeira
A que ocorre em duplos universos
Sem jamais perder a face corriqueira.
E assim na superfície de um espelho
Que se abriu para mim qual Mar Vermelho
Vi passar a minha vida refletida.
Em quatro mil sonetos belos desfilei
Na superfície aberta, desmedida,
Abismo em que pra achar-me atravessei...
domingo, 23 de março de 2014
"Uma vez me perguntaram qual o sentido geral da minha obra, como eu resumiria a minha mensagem, se isso for possível. Sim, é possível. Eu diria que a minha obra é a procura incessante da beleza que vence a morte, e que está semioculta, camuflada no caos da vida. Nessa procura lanço mão de tudo, inclusive da ironia e do humor. Mas confesso que muitas vezes não consigo disfarçar meu desespero..." (entrevista com Alma Welt)
"Admiro as pessoas simples que não questionam a vida e a vivem como ela vem, pronta, dentro das normas do seu meio e cultura... Infelizmente me falta essa humildade, mas como ainda não fui propriamente castigada, creio que Deus tem sido condescendente com a minha natureza de poeta, especulativa, rebelde, inconformada com a existência da Morte..." (entrevista com Alma Welt)
quinta-feira, 20 de março de 2014
"Alguém poderia me acusar de possuir um ego desmedido, já que quase sempre falo de mim. Mas como poderia falar do mundo e da vida sem meu ponto de vista e de apoio, sem mim mesma? Sou humana e sou mulher, mas sobretudo poeta, portanto com autoridade. Acredito que falando de mim, falo do Mundo. Mas vou lhes contar um segredo: essa hipótese de crítica partiu de mim mesma. Ninguém, na verdade, levantou a mim essa questão. Apenas não sei se por descaso ou por aceitação..." (entrevista com Alma Welt)
quinta-feira, 13 de março de 2014
"Quando muito jovem, voltando para casa depois de um passeio pela coxilha ouvi o som do piano de meu pai tocando um peça de Chopin. Um certo trecho daquela música maravilhosa me deu a súbita consciência de minha própria alma romântica. Nunca mais a reneguei, apesar da minha tendência inata à ironia, que muito tempo depois percebi ser um ingrediente não desprezado pelos melhores românticos, sobretudo os alemães, meus antepassados..." (entrevista com Alma Welt)
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
"Quando guria, entrei pela primeira vez, e sozinha, na casa da família de um peão aqui da estância. Embora ainda criança percebi a deferência e a fidalguia da recepção. Fui tratada como uma Infanta, isto é, uma princesa, a filha mesma do rei. Mas não estranhei e creio que comportei-me como tal, com uma nobreza infantil que me acompanharia para sempre. Afinal, eu era hóspede do mundo e lhe devia retribuir à altura..." (Alma Welt)
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