sábado, 13 de julho de 2013
"Meu pai, o "Vati", como eu o chamava, era ateu e não deixou minha mãe, a "Açoriana", batizar-me. Criou-me como uma pequena pagã, cercada das estórias de deuses e mitos, com a intenção de moldar-me como uma obra de arte clássica. Entretanto, como era um erudito e fundamentamente um romântico alemão, disse-me um dia: "Alma, não desprezes os que sonham com o Céu. Afinal esse sonho criou grandes obras que podemos reverenciar, e que foram feitas por artistas profundamente devotos. Quem somos nós para menosprezá-los? A ingenuidade, em sua pureza, cria mundos sublimes que o simples medo não logra construir. Quisera eu ter a fé de tão grandes artistas... " (Alma Welt)
domingo, 7 de julho de 2013
As doze badaladas da meia-noite
"Nada mais sinistro do que as doze badaladas da meia-noite no antigo relógio de pêndulo da sala do velho casarão de nossa estância. Guria, eu ficava acordada aguardando-as na esperança de rever meus fantasmas prediletos: Bento Gonçalves, Netto, Anita e o italiano... E eles me apareciam às vezes, acreditem ou não. Mas também surgiam alguns intrusos que presumo saíam da minha própria sombra. Se esse era um preço difícil de pagar, tudo isso me dava a medida da misteriosa alma humana, que seria a matéria viva da minha poesia...” (entrevista com Alma Welt)
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