sábado, 14 de dezembro de 2019

Acredito que nossos sonhos da noite são retalhos ou amostras de nossas vivências em alguma dimensão paralela, mas não simétrica, entre os inúmeros universos paralelos existentes. Daí serem quase sempre tão absurdos e amiúde frustrantes. Por exemplo: a minha vida é linda e meus sonhos ridículos. Eu teria vergonha de contá-los para um analista...
(entrevista com Alma Welt)
Sempre me pareceu que a vida amorosa e sexual de qualquer pessoa é matéria íntima e privada, ninguém tem que se intrometer. Incrível é precisar dizer isso, de vez em quando, ainda hoje...
(entrevista com Alma Welt)
"Nada em minha vida jamais foi passatempo. Não concebo a ideia de desperdiçar o Tempo, muito menos "matá-lo". Creio que o Tempo não perdoa, de algum modo, aqueles que assim o malbaratam. Entretanto, não me entendam mal, tempo para mim "não é dinheiro". Tempo, para mim é sagrado e perigoso... Sim, como Cronos, devorador impiedoso de seus filhos..."
(entrevista com Alma Welt)

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Um amigo cheio de dúvidas me perguntou: "Onde encontrar Deus?" Eu respondi com convicção: "Na Beleza. Quando não for na de fora, será na de dentro." Ele insistiu: Mas, as pessoas feias, elas não contêm Deus? Eu respondi: "Sim, contêm, quando bonitas por dentro". Ele insistiu mais uma vez: "Mas a feiura, tão disseminada, não foi criada também por Deus? Eu respondi: "Tenho sérias dúvidas disso, também..."
(Alma Welt)

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Eu, guria pequena, achava linda a geada matinal sobre o campo, e perguntei a meu pai para quê ela servia, e por quê ela era tão mal vista pelos peões e os trabalhadores da vinha. Meu pai respondeu-me: "Alma, a geada foi feita para alertar-nos contra as coisas bonitas mas perigosas e destrutivas, que são muitas, na vida." - Quais são elas, Vati? - insisti. E ele respondeu: "As almas sedutoras e frias... Tu te depararás com elas eventualmente, minha filha... "
(Alma Welt)
Uma grande biblioteca é, a meu ver, uma das poucas acumulações não vergonhosas, assim como uma coleção de obras de arte. Meu pai tinha as duas, em casa, na estância, no Pampa. Sim, cresci no meio do melhor e cercada de amplitude. Sou uma privilegiada, e não me envergonho nem um pouco disso.
(Entrevista com Alma Welt)
Acrescentar sempre coisas bonitas e cheirosas à vida e ao nosso habitat do momento, é no mínimo uma questão de boa educação. De nobreza, mesmo.
(Entrevista com Alma Welt)
Eu sempre gostei muito de ler coisas sérias, romances clássicos, alguns sinistros, desde a infância. Entretanto fui uma criança alegre, à revelia de minha sorumbática mãe. Meu pai, homem culto e erudito, incentivava e até premiava a minha alegria...
(Entrevista com Alma Welt)
Minha mãe, a Açoriana, católica, acreditava que a vida é um Vale de Lágrimas. Entretanto, eu, nesse Vale, queria sorrir, brincar, cantar e escrever versos... Não gostava de chorar junto, o que me tornava uma espécie de rebelde...
(Entrevista com Alma Welt)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Da Alegria

O ser humano não nasceu para ser triste. A tristeza se constitui como doença ou acidente de percurso. A alegria (não a euforia), reparem, dignifica o ser humano. Um ser alegre é bem vindo, muitas vezes comove ou queremos aprender algo com ele, não sabemos bem o quê, talvez o segredo mesmo da alegria, que deveria ser tão comum...
Entretanto, estamos perdendo a alegria, não aquela euforia carnavalesca, mas a simples alegria de sorrir à toa. Não o sorriso cáustico do sarcasmo, muito menos o riso sibilante do deboche, mas o simples sorriso infantil de aprovação à vida, de prazer e gratidão por existir...
(Entrevista com Alma Welt)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A Passagem do Tempo

"A passagem do tempo, invisível, imaterial, erode nosso corpo como o vento, a areia e as águas fazem às pedras. Ah! o atrito imponderável do Tempo... num mundo em que tudo é atrito, choque, desgaste, na Natureza como nas inúmeras instâncias do Ser... A quem poderemos queixar-nos? A Deus? Ao vento?"
Encostado numa grande árvore sagrada, assim dizia o filósofo que, de tão velho, se tinha transformado em poeta...
(Alma Welt)