quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Eu, guria pequena, achava linda a geada matinal sobre o campo, e perguntei a meu pai para quê ela servia, e por quê ela era tão mal vista pelos peões e os trabalhadores da vinha. Meu pai respondeu-me: "Alma, a geada foi feita para alertar-nos contra as coisas bonitas mas perigosas e destrutivas, que são muitas, na vida." - Quais são elas, Vati? - insisti. E ele respondeu: "As almas sedutoras e frias... Tu te depararás com elas eventualmente, minha filha... "
(Alma Welt)
Uma grande biblioteca é, a meu ver, uma das poucas acumulações não vergonhosas, assim como uma coleção de obras de arte. Meu pai tinha as duas, em casa, na estância, no Pampa. Sim, cresci no meio do melhor e cercada de amplitude. Sou uma privilegiada, e não me envergonho nem um pouco disso.
(Entrevista com Alma Welt)
Acrescentar sempre coisas bonitas e cheirosas à vida e ao nosso habitat do momento, é no mínimo uma questão de boa educação. De nobreza, mesmo.
(Entrevista com Alma Welt)
Eu sempre gostei muito de ler coisas sérias, romances clássicos, alguns sinistros, desde a infância. Entretanto fui uma criança alegre, à revelia de minha sorumbática mãe. Meu pai, homem culto e erudito, incentivava e até premiava a minha alegria...
(Entrevista com Alma Welt)
Minha mãe, a Açoriana, católica, acreditava que a vida é um Vale de Lágrimas. Entretanto, eu, nesse Vale, queria sorrir, brincar, cantar e escrever versos... Não gostava de chorar junto, o que me tornava uma espécie de rebelde...
(Entrevista com Alma Welt)