quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Alma Welt
(Escritora)
08/01/1972, em Novo Hamburgo RS
20/01/2007 Estância Sta Gertrudes, Rosário do Sul RS



( Texto biográfico extraido do site Netsaber,da Internet)


ALMA WELT (1972-2007) escritora gaúcha nascida em Novo Hamburgo, poeta lírica, grande sonetista (escreveu cerca de 700 belíssimos sonetos), deixou uma obra profícua e numerosa, constando de um romance autobiográfico inédito em quatro tomos denominado "A Herança" (dividido como quarteto com os seguintes títulos: A Herança, A Ara dos Pampas, O Sangue da Terra, A Vinha de Dioniso),e mais o romance entitulado "O Retorno dos Menestréis", ambientado no sertão nordestino de Pernambuco e Paraíba, numa mítica e divertida viagem a bordo do Pavão Misterioso. Tem ainda quatro livros de contos: Contos da Alma, publicado em 2004 pela Editora Palavras & Gestos(de São Paulo) e presente nas livrarias (vide google); Contos Pampianos da Alma, Contos Secretos da Alma, e "Lendas da Alma" (este uma coletânea de lendas poéticas de sua invenção, de caráter europeu, góticas e misteriosas, ilustradas com desenhos a cores por Guilherme de Faria. Além disso tem um livro de crônicas curtas(Crônicas da Alma). Sua obra poética, igualmente prolífica, conta com 49 livros de poesia, sendo 33 de sonetos (perfazendo cerca de 700 sonetos),e vem sendo publicada de maneira semi-artesanal, em folhetos dentro de uma caixa (Kit) de madeira, e ilustrados a cores com desenhos de Guilherme de Faria. As duas últimas obras poéticas que escreveu são: um notável drama lírico formado por 42 sonetos (cenas) encadeados,inspirado por sua paixão por uma aluna e denominado "Sonetos à Mayra"; e os "150 Sonetos Pampianos da Alma" escritos no seu último mês de vida. Parte considerável de sua obra está publicada no site literário "Leia Livro" (da Fundação Padre Anchieta, na Internet).
Alma Welt conseguiu extraordinário sucesso com suas obras na Internet, principalmente no site Recanto das Letras, num período de 7 meses, até a sua morte, com mais de 14.000 leituras e 1.500 comentários elogiosos vindos das mais diversas partes do Brasil e de Portugal. Entretanto, as circunstâncias de sua morte por suicídio no dia 20/01/2007, romanescas, causaram um imenso escândalo nesse site, por equívoco e intrigas, produzindo a suspeita de que se tratasse de um heterônimo, e resultando na sua inusitada e espantosa expulsão póstuma daquele site, e debates no seu Fórum, do tipo "Alma Welt existe? Alma Welt não existe?"
A autora, mulher jovem, belíssima e misteriosa, não se deixava fotografar, somente permitindo a divulgação de seus retratos em desenhos, gravuras e pinturas a óleo de Guilherme de Faria, seu "retatista autorizado", pintor paulista que a ilustrou, prefaciou, e editou, lançando-a no meio artístico paulistano a partir de 2001, quando a descobriu no seu auto-exílio paulistano, num ateliê de pintura estabelecido nos Jardins. As circunstância notáveis desse encontro providencial foram narradas por ela no seu conto entitulado "Anagramas", que pode ser encontrado na sua página no site Leia Livro da Internet.
Alma suicidou-se aos 35 anos por afogamento, na sua estância pampiana, no
auge de seu talento e beleza. Admirada pelo grande poeta Paulo Bomfim (que escreveu um prefácio para o próximo livro dela a ser publicado) e pelo famoso bibliófilo José Mindlin (que possui obras inéditas dela) começa agora a sua trajetória triunfante, como "a última grande lírica do século XX", Poeta e Musa ao mesmo tempo.




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Alma Welt é, sem dúvida, o maior fenômeno literário das letras femininas deste país, no despontar do século XXI. Seu suicídio romanesco,no começo deste ano, permanece envolto em mistério. Pelo que eu soube, há suspeita de que ela pode ter sido assassinada. Sua sensualidade,apesar de sua pureza, parece tê-la tornado vítima de estupro em mais de uma ocasião.É uma terrível tragédia.O Brasil perdeu este ano a sua maior escritora e poeta surgida em tempos recentes. Felizmente a obra não morre, e podemos continuar a fruir de sua poesia aqui na Internet, no Texto Livre, que parece que sua irmã Lucia Welt está alimentando com textos inéditos da "Musa pampiana".

Por: Solange Lima



Muito bons os textos acima sobre a maravilhosa Alma Welt. Mas sinto que, apesar de fornecerem bastantes dados biográficos, não penetram na área propriamente crítica da literatura da
musa pampiana.

Fui uma das primeiras leitoras a descobrir e comentar os textos da poetisa, ressaltando a grandeza de sua prosa e poesia, principalmente
de seus sonetos, que estilisticamente têm uma grande assimilação do romantismo tanto quanto do parnasianismo, que ela chegou a homenagear como por exemplo no soneto n°9 de seus 150 Soneto s Pampianos, entitulado A Oferenda:

A Oferenda (de Alma Welt)
ou
"O que me disse um vagalume"

(dedico aos nossos grandes parnasianos,

de Olavo Bilac a Vicente de Carvalho)


9

Noite clara, a natureza em festa
Saúda-me feliz, aqui no meu jardim.
Um vagalume dança em minha testa
Dizendo: “Vem, me siga já, aqui, assim!”

“Vem comigo até o bom caramanchão
Onde podes exibir a tua alvura
Sem seres avistada por algum peão
Que te possa espreitar pra te ver nua...”

“Como num leito deita em teu vestido,
As pernas entreabertas, que na fenda,
Como uma pérola, talvez com um prurido

Pouso eu na concha que o Amor cultua,
Enquanto, minha Alma, em oferenda,
Abres teu corpo para a luz da lua!”


Notem o mesmo estro simbolista eromântico em essência, apresentado pelos melhores momentos do parnasianismo, acrescentado de uma nota erótica graciosa e delicada.
Aliás acho oportuno ressaltar o erotismo peculiar da autora ,que dedicou a esse filão muitas de suas melhores páginas. "Peculiar" porquanto Alma se distingue nessa área pela absoluta ausência de vulgaridade, e podemos dizer: com grande pureza e inocência como “un enfant de la nature” que desconhece o “pecado”, mesmo se ocasionalmente lança mão de uma leve malícia inocente quando quer conferir humor à cena. Vejamos:



Eu e os piratas

(dos 150 Sonetos Pampianos da Alma,

de Alma Welt)



Meu irmãozinho construiu embarcação
Toda de caixotes, pouco destra,
Com um cabo de vassoura e armação
Que pretendia ser a vela mestra.

E a arrastamos juntos ao laguinho
Da cascata, pra com ela navegarmos
Como piratas, eu com bigodinho,
Ele com a venda e os sarcasmos.

Mas eis que me vi numa enrascada,
Pois borrando meu bigode com o dedo
Ele disse: “Descobri o teu segredo!”

“Já que és mulher és cobiçada
E vais ficar pelada e com medo,
Pois serás de toda a marujada!”


Eis aí um bom exemplo dessa “malícia inocente” que capta o humor da cena pueril das lembranças de sua infância pampiana. É verdade que na sua série “Sonetos Luxuriosos”(vide no Leia Livro) Alma pega mais pesado, mas ainda assim, verificamos que tais sonetos derivam de um sentido picaresco só encontrados no período medieval tardio e na Renascença. Mas nada da grosseria de um Pietro Aretino que, esse sim,pornógrafo deslavado, seria um equivalente hoje em dia dos vídeos pornôs, em sua malícia e falta total de sutilezas, na sua obra homônima "Sonetti Lussuriosi”. Mas isso merece um estudo à parte. Quanto aos Sonetos Pampianos, Alma nessa série magistral que coroa a sua obra, parecia estar num surto febril de criatividade e inspiração produzindo de enfiada 150 sonetos primorosos e intensos, no seu último mês que culminou com o seu inesperado(?) suicídio. Na verdade foi uma morte anunciada: Alma deu sinais de alerta ou premeditação, que infelizmente passaram despercebidos por seus familiares, embora ela tivesse já sido internada há um ano atrás, numa
clínica lá no Sul, por surtos periódicos de angústia que chegavam a desorientá-la. Esses sinais me parecem agora detectáveis em sonetos como este:


Soneto de nostalgia

(dos Sonetos Pampianos da Alma, de Alma Welt)



Quanto fui amada em minha infância!...
Como viver então sem mais viver
O reino de encanto que era a estância
E alegria e beleza ainda manter

Se a alma deste pampa era o meu Vati
E seu piano mágico, polido,
Agora amargo como o coração do mate
E surdo como o verso com que lido?

Perdida do pomar do paraíso
Não só a inocência mais juízo,
Desço o rio de amor da minha mente

Que me mantém acesa e ainda viva
Nesta mansão que afunda lentamente
Como um barco bêbado à deriva...


Alma percebia os sinais de decadência de sua estância semi-abandonada, endividada e arruinada . Como poeta ela não poderia ser uma boa administradora do patrimônio deixado pelos seus avós. O endividamento já começara com seu pai, também ele artista. Entretanto não acredito ser essa a verdadeira causa da angústia ou depressão da nossa poetisa. A chave da sua tragédia pode ser encontrada nas entrelinhas de versos como este:



Os Sonhos da Razão

(“El sueño de la razón produces monstros” (Goya



Levantam-se na noite os meus sonhos
E me acordam febril e alvoroçada.
Não me embalam, não, não são risonhos
Meus sonhos de Poeta apaixonada!

Paixão da vida, a ânsia dos autores.
Da louca ilusão de eternidade,
Sonhos de grandeza, dos louvores,
Dos vôos sobre os tetos da cidade!

Ah!Ser o ideal que desejei:
Ser a alma aqui do Rio Grande
A musa que de mim me projetei!

Eu que necessito ser amada
E quero ser feliz além de grande,
Tudo quero, tudo, e tenho nada....


Infelizmente, em sua candura anímica Alma não pode perceber que já tinha tudo: beleza, talento, inspiração, grandeza.A insatisfação ou o excesso de sensibilidade a matou... sem que pudesse perceber em que ponto se encontrava, e que a fama já estava chegando, e com ela certamente glória que confessadamente almejava e que deixou para a posteridade.



(Leandra April)

Exertos de um longo ensaio sobre a poetisa Alma Welt a ser publicado.


Por: Leandra April



Alma Welt
1972-2007

Poetisa e escritora gaúcha, grande revelação recente das letras deste país, nasceu, segundo ela conta no seu romance autobiográfico A Herança (2005), num acostamento de estrada, na relva, a caminho de novo Hamburgo, pelas mãos de seu pai o médico, pianista e erudito, Werner Friedrich Welt, que fez ali mesmo o parto de sua esposa Ana Morgado, neta de imigrantes açorianos. Seus avós paternos eram os agricultores alemães Joachin e Frida Welt, que imigrados dos sudetos da Chekoslováquia antes da Segunda Grande Guerra, prosperaram primeiramente em longos anos de colônia agrícola alemã no Vale do Itajaí, região de Blumenau, em Santa Catarina. O avô de Alma iria adquirir uma estância gaúcha no extremo sul do país, onde plantaria um vinhedo pioneiro no Pampa, para produzir vinho, que era o seu sonho. Alma conta a saga de seus avós e de seus pais no seu romance A Herança, em quatro volumes. Quanto à sua avó Frida, vide o trecho “O Condestável Gottfried” nas sua página no Leia Livro.
Alma é a terceira filha do casal Werner e Ana, tendo um irmão mais novo um ano, Rudolf, que ela chamava pelo apelido de Rôdo e que é um personagem importante nos seus romances, contos, crônicas e poemas de caráter memorialístico. A paixão de Alma desde a infância por seu irmão caçula é tão intensa que chega a revelar um fundo incestuoso, todavia sublimado em literatura por um tom lírico que o justifica e mesmo chega a engrandecer. Todavia esse fato acarretaria um primeiro trauma na vida da guria dos pampas, pelo flagrante produzido por sua mãe numa singela cena de descoberta sexual infantil, sob a macieira querida do seu pomar, o que nos faz pensar numa metáfora da perda da inocência sob a arvore do paraíso, ou da Razão (a Ciência do Bem e do Mal). Aliás, toda a obra da escritora gaúcha é perspassada de alegorias, de simbolismos e mitos recorrentes, como esse da macieira primordial, o de Narciso e Eco, o de Perséfone, e o do fio de Ariadne e o Labirinto do Minotauro (vide as suas novelas "Perséfone" (o mito de Adèle D'Affry), "Narciso", e "Ariadne", no Leia Livro.
As duas irmãs de Alma: Solange Motersohn Welt, casada com Alberto (que ela chama o “borracho”) era a mais velha, que morreu assassinada por seu cunhado Geraldo, com quem havia fugido, e que era casado com Lúcia, a segunda irmã de Alma, que está hoje em dia empenhada em dar prosseguimento às publicações de sua irmã e em cuidar de sua herança literária e posteridade.
Alma era profundamente ligada ao seu pai, que ela, como seus irmãos, chamava de “Vati” ( pronuncia-se Fáti, "papai" em alemão) e que ela idolatrava de uma maneira igualmente exaltada, e que após a morte dele, produziu maravilhosos versos nostálgicos (vide o soneto “A carruagem”, que foi o último escrito por Alma (pertence à série "150 Sonetos Pampianos da Alma") e publicado no site Recanto das Letras, causando considerável comoção, com o anúncio de sua morte):

A Carruagem (de Alma Welt)

(150)
Um piano toca no salão!
Ah! e não fui eu que coloquei
Um cd ou um velho long-play,
Talvez seja o Vati, e então...

Ele voltou! Sim, ele me quer!
Vou ao seu encontro e sou mulher!
Sim, ele vai ver que agora sou
Pelo menos a guria que sonhou.

Olha, Vati, há muito não me vias,
Mas de verso em verso muito errei
Pelo mundo, a viajante que querias...

E agora, com toda esta bagagem,
Leva-me contigo, que eu irei
Quietinha, assim, na carruagem!


Depois de uma primeira infância urbana em Novo Hamburgo, Alma se transfere com a família para a estância de seus avós, no Pampa, situada entre Alegrete e Santana do Livramento, próxima a Rosário do Sul. A infância da Alma nos pampas, nessa estância cercada de um vinhedo que ela tornaria mítico em sua literatura (A Vinha de meu Pai, A vinha de Dioniso, etc,) é um dos temas recorrente de sua obra, e adquire um tom de grande lirismo e nostalgia, em que o cenário grandioso da pradaria, com suas coxilhas, um bosque, o seu pomar e uma pequena cascata em cujo poço de águas cristalinas Alma iria encontrar a sua morte, fazem dela também uma escritora pampiana de notável poder sugestivo de paisagem, mais do que descritiva.
Com a morte de seu adorado pai, que foi quem a criou no meio de sua biblioteca clássica em quatro línguas, como uma pequena pagã, longe da influência católica de sua esposa que não compreendia a filha, e que Alma chamava de maneira mítica, talvez subjetivamente pejorativa de “a Açoriana”, Alma profundamente chocada e transtornada, abandona a estância e se "auto-exila" (como ela dizia) estabelecendo um ateliê de pintura em São Paulo, nos Jardins, onde seria descoberta como pintora, mas principalmente como escritora inédita com grande bagagem de textos originais manuscritos que deslumbraram o artista Guilherme de Faria e que o fizeram dedicar-se desde esse dia de Julho de 2001, à sua divulgação nacional, lançando-a, prefaciando e ilustrando seus poemas, com tal entusiasmo e dedicação ( ele a considera sua última e definitiva Musa). Cabe aqui dizer, que por algum pacto entre ele e Alma (vide o conto Anagramas, dela, no site Leia Livro) ela não se deixaria mais fotografar em sua vida pública, somente aceitando a divulgação dos seus retratos feitos em desenho, gravura e óleo pelo artista paulista, o que talvez tenha motivado a suspeita ou o boato de que ela, Alma Welt, seria um heterônimo desse artista. A natureza misteriosa da “guria” produziu uma grande confusão, às raias do escândalo, que acabou por equívoco resultando na espantosa expulsão póstuma da escritora, do conhecido site literário onde ela vinha publicando há quase um ano com imenso sucesso, e já celebrada como uma diva das Letras, com uma legião crescente de admiradores e fãs. No entanto seus textos podem ainda ser acessados no site Leia Livro, que foi o seu berço na Internet. Lucia Welt está publicando ali, como continuidade, textos de sua irmã, inéditos ou já publicados anteriormente no outro site de que ela foi apagada.
Alma começa agora a sua verdadeira trajetória: póstuma, como toda grande arte costuma ser.

Eliana Mattos
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Comentário do poeta gaúcho Rogério Sivério de Farias, a um dos SONETOS PAMPIANOS DA ALMA

(Eu, Lucia Welt, tanscrevo aqui os comentários do poeta gaúcho encontrados aqui mesmo num soneto da Alma e que motivaram em seguida a minha agradecida carta a ele publicada mais abaixo à guisa de prefácio aos Sonetos Pampianos da Alma):


Rogério Silvério de Farias disse...

Como sou grande o suficiente para reconhecer meus erros, posso dizer que a polêmica escritora Alma Welt foi alvo de minha indignação e revolta injustificadas. No entanto, hoje, após raciocionar, refletir muito, penso que reconheço a grandeza desta misteriosa escritora. O que acontece no RL acontece em nossa vida cotidiana. E de forma muito mais cruel. Ocorre que este fenômeno literário chamado Alma Welt despertou a ira e a inveja por ser ela uma personalidade misteriosa e livre das convenções sociais sub-pirilâmpicas, nosferáticas, sombriáticas. PENSO QUE EU MESMO, NO MEU EGOÍSMO, FIQUEI COM RAIVA DA ALMA. Reconheço que fiquei desconfiado de sua morte. Mas hoje, não tão tacanho como na época de seu falecimento, me sinto apto a dizer que ela realizou uma obra literária de valor, embora não agrade, em algumas partes, a certos poetas e escritores, devido a ousadia das palavras da Alma. É complicado tentar entender a Alma. Mas todos sabemos, no fundo, que a Alma é imortal!Pretendo publicar em meu blog algo sobre ela, quando tiver mais tempo. Acontece que me correspondi com a Alma e, como pessoa, nunca vi maldade nela. Apesar de reconhecer que fui, em certo sentido, ingrato ao não compreender a sua morte e o seu ato irrefletido. Meus escritores favoritos, Robert E. Howard, Jack London, outros, todos cometeram o suicídio. Parece-me que na antiga grécia, se nao me equivoco, cortar os pulsos e suicidar era um ato nobre; ocorre que esta mentalidade judaico-cristã, que parece querer queimar no inferno os suicidas, me parece uma besteira. O ser humano tem sim o direito de pôr fim à sua vida e coroar sua obra e existência de forma heróica. Morrer de velhice ou por uma bandeira numa guerra me parece mais heresia que o suicídio. O que ocorreu comigo no Recanto me parece ter sido uma grande lição. A gente, que quer voar no alto, tem que voar sozinho. Para criar algo novo, é preciso estar no alto. Eu tenho um poema em meu blog chamado ENTERREM MEU CORAÇÃO SONHADOR NO ALTO DA MONTANHA DA SOLIDÃO, no qual penso que expressei essa característica artística dos grandes poetas. Um abraço.www.rogerio.k6.com.br

15/7/07 1:21 PM


rogério silvério disse...
Reconheço a grandeza da Alma! Tenho um poema que bem poderia ser dedicado a ela, está no meu blog, chama-se ENTERREM MEU CORAÇAO SONHADOR NO ALTO DA MONTANHA DA SOLIDÃO.
Eu acredito na imortalidade da Alma.

15/7/07 1:23 PM



16/10/2007
Carta de Lucia Welt ao Rogério Sivério de Farias, à guisa de PREFÁCIO AOS SONETOS PAMPIANOS DA ALMA


(Carta de Lucia Welt ao Rogério Sivério de Farias, o Poeta das Sombras do Sul, carta esta que na ocasião ele publicou no seu blog cancelado depois por ele por motivo desconhecido e que para mim ainda é um mistério, pois ele alcançara grande sucesso com seu textos inquietos, irreverentes e apaixonados).


Ó confrade Rogério (da Confraria dos Poetas Banidos), minha irmã também amava aquele site (Recanto das Letras) mas quem sofreu duplamente com isso foi o Guilherme de Faria, que além de tê-la como sua "descoberta" e última e definitiva musa, foi cassado juntamente com a Alma pois cismaram que minha irmã (pasme!) era (ou é) um heterônimo seu. Às vezes me pergunto se Alma sofreria com isso se tivesse acontecido com ela em vida, pois ela era surpreendente e tinha um enorme senso de humor. É dela aquela expressão " interconfetismo", que ouvi de sua boca a respeito daquele site. Mas a julgar pelo número enorme de trabalhos que ela publicou ali ( 513) ela devia ter algum amor ou apego ao RL, que lhe permitiu ficar conhecida nacionalmente e até em Portugal (mais de 14.000 leituras em 10 meses, 2000 delas só na semana de escândalo que se seguiu à sua morte). Mas a verdade é que os editores daquele site foram fracos pois sucumbiram à pressão dos invejosos e hipócritas que forçaram a sua expulsão como se morrer fosse um crime, e não uma tragédia. Se ela fosse um heterônimo, seria igualmente revoltante e desprezivel a atitude deles, pois então um autor não tem o direito de matar o seu personagem? Bem... sabemos que todas às vezes que isso aconteceu na história da literatura os autores assassinos foram apedrejados pelos leitores revoltados. Basta lembrar o caso do Conan Doyle que recebeu milhares de cartas de dasaforos quando o seu célebre Sherlock Holmes morreu nas cataratas lutando com o seu arqui-inimigo o doutor Moriarty. O autor arrependido (ou acovardado, não sei) achou melhor ressucitá-lo, fazendo-o ter sobrevivido surprendentemente e reaparecendo para a alegria do doutor Watson e dos leitores fiéis. Ah! Quisera num mundo mágico poder fazer isso com a Alma. Mas parece que a realidade pode ser pior do que pensávamos, pois corre agora aqui na região a suspeita levantada por um delegado de que Alma não se matou, mais foi assassinada, depois de violada! Não, não quero acreditar nisso. Ai! Roger, a dor não terá fim...

Mas... quanto ao Recanto não lamente, querido Roger( se é que o faz) por ter sido expulso, pois é uma glória, como já comentamos, pois os grandes não se adaptam a panelinhas e muito menos a cabresto. E se a expulsão for acompanhada de escândalo, tanto melhor, pois é sinal de sucesso. Os chamados "succès d'escandale" dos franceses, sempre foram provocados por obras de valor duradouro, pois revolucionárias e chocantes estavam à frente da sua época, como bem o disseste a respeito da Alma.

A verdade é que os grandes autores são solitários e não são bem vistos dentro de confrarias, pois logo despertam a inveja, a incompreensão ou o despeito dos confrades. E na pior das hipóteses os artistas seriam pavões de belas caudas que as abrem para impressionar as fêmeas, e juntados num cercado vão certamente se bicar. Ah! A natureza humana dos pavões...

Roger querido, tenho freqüentado teu site e o acho divertidíssimo e interessante. Percebo também a tua angústia, que o faz ser tão inquieto, como a Alma o era, tornando-a muito visível e visada em sua nudez física e espiritual que acabou incitando a agressão dos fracos, feios ou despeitados. E dos lobos em pele de cordeiro...

No caso da Alma há também um outro fator: ela era adorável, superior, meiga e... dadivosa. Dava seu talento mas também sua beleza e seu corpo generoso e excitante. Sua liberdade e candura fizeram-na afinal uma espécie de Geni (do Chico Buarque), a quem aqueles que desfrutaram de suas dádivas, ao vê-la entregar-se ao inimigo comum ( no caso dela a própria Morte) para salvá-los ou redimi-los, resolveram apedrejar e "jogar bosta".

Querido, espero mais visitas suas lá nos blogs dela, pois não paro de publicar todos os dias um soneto novo. Descobri que minha irmã deve ter escrito mesmo uns mil sonetos ( e não 700 como eu pensava) pois a arca que descobri dela no nosso sótão é uma cornucópia de surpresas. Acabo de publicar um soneto desconhecido dela entitulado "A plenitude da Alma", que pela data deve pertencer à série pampiana, e contém mais uma chave para entender o seu espírito, e a mensagem de sua obra, que descubro monumental ao mesmo tempo que intimista (contradição em termos).

Quanto à tua saudade da grande Alma, tu me comoveste, mas veja, seu espírito está vivo entre nós na sua obra imortal. Não é para isso que serve a Arte, para sobreviver à morte? Mas reconheço: lendo-a todos os dias para publicá-la, eu a sinto tão viva, Roger, que morro de saudades de tocá-la, olhar a sua beleza e seu olhar. E de abraçar, sentir o calor, e beijar a mais bela e doce criatura que passou por este mundo e me deu a honra de nascer sua irmã.

Fica com um beijo meu pelo menos, ó poeta solitário das sombras do sul.

Um abraço pampiano da Alma
através desta pequenina Lucia

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