Fragmentos do romance O Sangue da Terra, de Alma Welt)
O condestável Gottfried suspendeu a caçada, entregando sua balestra ao seu escudeiro e estendendo a mão enluvada, apanhou o bilhete que lhe trazia um pajem que chegara a galope. Leu, e em seguida amassou o bilhete, e com ele cerrado no punho deu rédeas ao cavalo, que por sua vez galopou de volta ao castelo.
O fidalgo, visivelmente irado, cruzou a ponte levadiça a galope, e apeando do cavalo ainda em movimento, atravessou parte do pátio, espantando as galinhas, e saltando alguns degraus adentrou o amplo portal, e a passos largos, como um furacão, foi direto à cozinha, onde encontrou Lady Margareth, a inglesa que desposara, depois de um tempestuoso caso diplomático que incluíra paixão e intrigas palacianas, e ali em frente aos cozinheiros, copeiras e outros serviçais, homens e mulheres, agarrou brutalmente sua esposa que quis esboçar um sorriso, mas logo assustada e horrorizada, foi virada de costas e inclinada sobre a grande mesa da cozinha, teve sua ampla saia e as suas sete anáguas levantadas e suas brancas nádegas expostas. Retirando seu imenso membro rubro e vibrante, da braguilha estourada, o duque enterrou-o de imediato e brutalmente no ânus rosado de sua mulher, que soltou um imenso grito, sodomizando-a, ali, na frente da criadagem. Depois do violento orgasmo, agarrou-a pelos longos cabelos ruivos e arrastou-a pelo salão e corredores, até o quarto, onde empurrou-a sobre a cama de dossel, desfigurada e em lágrimas, atirando-lhe por cima o bilhete amarfanhado, em seguida retirando-se imediatamente, sem nenhuma palavra, cerrou a porta, trancando-a por fora, à chave.
Lady Margareth engravidou depois daquela noite, e durante toda a sua gestação, corria no palácio, principalmente entre a criadagem, que fora fecundada pelo ânus, coisa que muitos testemunharam, e que a criança seria, portanto, “filha de Sodoma” e nasceria, literalmente “por ali.” Ao nascer, a criança foi arrancada aos braços da mãe e entregue a um casal de camponeses para que a criassem longe dali, mas ainda em terras do duque.
Minha avó Frida, que eu considerava uma espécie de bruxa, contou-me esta estória quando eu tinha doze anos, sem maiores considerações pela minha inocência, para explicar as origens camponesas de nossa família, que seria descendente, assim, de um duque e “condestável”, como ela o designava, justificando nosso retorno à posse de terras, embora tão distantes daquela Alemanha medieval onde estava a origem de tudo. Nunca saberei se ela inventava aquilo, mas o detalhe da sodomia me impressionava sobremaneira e presumo que o grotesco daquela cena se devia a uma necessidade de minha avó de rebaixar tão alta linhagem, para tornar mais verossímil a sua estória. Ela queria dizer que, de qualquer maneira, éramos de linhagem espúria, pois nosso antepassado tinha sido gerado e parido “por trás”, como os criados e camponeses acreditavam.
De qualquer maneira, qualquer que tenha sido a verdadeira história das origens da nossa família, eu não podia deixar de admirar instintivamente o cunho folclórico de tudo aquilo, e sobretudo, a veia satírica de minha avó, seu amor do grotesco, que ela evidenciava entremeando sua narrativa com gargalhadas finas, cacarejantes, que mostravam seus poucos dentes na boca horrenda e murcha. Eu tinha certeza que estava diante de uma bruxa, mas permanecia fascinada.
Muitos anos mais tarde, vim a saber que aquilo era possível, senão provável, pois o esperma de um homem corria longe, na sua procura do óvulo, e escorrendo sobre a vulva, a partir do orifício anal, poderia fecundar a mulher, e que isso ocorria mais freqüentemente, até hoje, do que as pessoas supunham. Na adolescência tive um período de medo de sentar-me na banca da privada, pois amiguinhas da escola me diziam que se podia engravidar, se um homem tivesse se sentado ali primeiro, sobretudo se o assento ainda estivesse quente. Tais superstições, todas com uma pequena base real, poderiam ter assombrado a minha infância e pré-adolescência, não fora a sabedoria de meu pai, que desvelava e explicava todos os fenômenos da natureza, sem roubar-lhes a poesia e mesmo a quota de mistério, subjacente a toda vida do homem sobre a terra.
Entretanto, apesar do caráter picaresco daquela estória, minha avó também queria embasar um pequeno mito corrente na família, e estendendo aquela sua mão ossuda, que parecia uma garra de pássaro, e tocando meus cabelos dourados, e minha face muito branca, disse, fechando a narrativa:
—Alma, tu és a prova da parte nobre da nossa linhagem, com tua aparência de princesa, assim como o Werner é a própria imagem do Condestável. Quanto a Solange e Lúcia, são a parte camponesa. O Rudolf, teu Rôdo? Bem, este é um caso à parte, que te contarei outro dia. Agora vai, vai princesinha, brincar no pequeno reino do teu jardim, que te coube, minha querida.
O fidalgo, visivelmente irado, cruzou a ponte levadiça a galope, e apeando do cavalo ainda em movimento, atravessou parte do pátio, espantando as galinhas, e saltando alguns degraus adentrou o amplo portal, e a passos largos, como um furacão, foi direto à cozinha, onde encontrou Lady Margareth, a inglesa que desposara, depois de um tempestuoso caso diplomático que incluíra paixão e intrigas palacianas, e ali em frente aos cozinheiros, copeiras e outros serviçais, homens e mulheres, agarrou brutalmente sua esposa que quis esboçar um sorriso, mas logo assustada e horrorizada, foi virada de costas e inclinada sobre a grande mesa da cozinha, teve sua ampla saia e as suas sete anáguas levantadas e suas brancas nádegas expostas. Retirando seu imenso membro rubro e vibrante, da braguilha estourada, o duque enterrou-o de imediato e brutalmente no ânus rosado de sua mulher, que soltou um imenso grito, sodomizando-a, ali, na frente da criadagem. Depois do violento orgasmo, agarrou-a pelos longos cabelos ruivos e arrastou-a pelo salão e corredores, até o quarto, onde empurrou-a sobre a cama de dossel, desfigurada e em lágrimas, atirando-lhe por cima o bilhete amarfanhado, em seguida retirando-se imediatamente, sem nenhuma palavra, cerrou a porta, trancando-a por fora, à chave.
Lady Margareth engravidou depois daquela noite, e durante toda a sua gestação, corria no palácio, principalmente entre a criadagem, que fora fecundada pelo ânus, coisa que muitos testemunharam, e que a criança seria, portanto, “filha de Sodoma” e nasceria, literalmente “por ali.” Ao nascer, a criança foi arrancada aos braços da mãe e entregue a um casal de camponeses para que a criassem longe dali, mas ainda em terras do duque.
Minha avó Frida, que eu considerava uma espécie de bruxa, contou-me esta estória quando eu tinha doze anos, sem maiores considerações pela minha inocência, para explicar as origens camponesas de nossa família, que seria descendente, assim, de um duque e “condestável”, como ela o designava, justificando nosso retorno à posse de terras, embora tão distantes daquela Alemanha medieval onde estava a origem de tudo. Nunca saberei se ela inventava aquilo, mas o detalhe da sodomia me impressionava sobremaneira e presumo que o grotesco daquela cena se devia a uma necessidade de minha avó de rebaixar tão alta linhagem, para tornar mais verossímil a sua estória. Ela queria dizer que, de qualquer maneira, éramos de linhagem espúria, pois nosso antepassado tinha sido gerado e parido “por trás”, como os criados e camponeses acreditavam.
De qualquer maneira, qualquer que tenha sido a verdadeira história das origens da nossa família, eu não podia deixar de admirar instintivamente o cunho folclórico de tudo aquilo, e sobretudo, a veia satírica de minha avó, seu amor do grotesco, que ela evidenciava entremeando sua narrativa com gargalhadas finas, cacarejantes, que mostravam seus poucos dentes na boca horrenda e murcha. Eu tinha certeza que estava diante de uma bruxa, mas permanecia fascinada.
Muitos anos mais tarde, vim a saber que aquilo era possível, senão provável, pois o esperma de um homem corria longe, na sua procura do óvulo, e escorrendo sobre a vulva, a partir do orifício anal, poderia fecundar a mulher, e que isso ocorria mais freqüentemente, até hoje, do que as pessoas supunham. Na adolescência tive um período de medo de sentar-me na banca da privada, pois amiguinhas da escola me diziam que se podia engravidar, se um homem tivesse se sentado ali primeiro, sobretudo se o assento ainda estivesse quente. Tais superstições, todas com uma pequena base real, poderiam ter assombrado a minha infância e pré-adolescência, não fora a sabedoria de meu pai, que desvelava e explicava todos os fenômenos da natureza, sem roubar-lhes a poesia e mesmo a quota de mistério, subjacente a toda vida do homem sobre a terra.
Entretanto, apesar do caráter picaresco daquela estória, minha avó também queria embasar um pequeno mito corrente na família, e estendendo aquela sua mão ossuda, que parecia uma garra de pássaro, e tocando meus cabelos dourados, e minha face muito branca, disse, fechando a narrativa:
—Alma, tu és a prova da parte nobre da nossa linhagem, com tua aparência de princesa, assim como o Werner é a própria imagem do Condestável. Quanto a Solange e Lúcia, são a parte camponesa. O Rudolf, teu Rôdo? Bem, este é um caso à parte, que te contarei outro dia. Agora vai, vai princesinha, brincar no pequeno reino do teu jardim, que te coube, minha querida.
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