domingo, 7 de novembro de 2021

 7 de novembro de 2013 · São Paulo ·

"Se eu tivesse que revelar um profundo segredo sobre mim mesma, eu começaria por dizer que há algo estranho em meu caráter ou personalidade: eu penso uma coisa e o contrário sobre a mesma coisa, sempre. Assim é sobre tudo o que vejo, sinto ou vivencio. Não terei personalidade alguma? Provavelmente não. Mas me consola pensar, como John Keats, que essa é a natureza do poeta: não ter si mesmo. A identidade demasiado forte das coisas e pessoas me aniquila. Ao olhar uma estrela, sou a estrela; ao olhar uma árvore, sou a árvore, uma criança, a criança; um velho, o velho. Sim, mas o pior é mesmo a ambigüidade, os contrários simultâneos, os paradoxos da visão subjetiva. Como posso então viver em sociedade? Bem... não vivo. Não sou um ser social. Comunico-me com o mundo, isto é, com as pessoas, através da minha poesia. E nos raros momentos de sociabilidade, dissimulo pela astúcia o monstro psicológico que na verdade sou. Só o que me salva do crime é o meu amor pela generosidade e pela beleza. Talvez também pela grandeza, a verdadeira, a interior..." ( entrevista com Alma Welt)

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

 (quadrinha ao gosto popular)

A vida é cheia de medos
E compensações cruéis:
Geralmente vão-se os dedos
Quando ficam os anéis.
(Alma Welt)

 A psicologia perpassa todas as ações humanas, que são regidas por suas "leis". Não da Psicanálise, tentativa exterior de ordenamento. Melhor seria dizer "a Psique" (no sentido grego) com seus princípios não propriamente morais, isto é: com seus "arquétipos". Nesse sentido, as ações humanas são previsíveis, embora não excluam, vez por outra, o insólito, em geral em forma de "tragédia". Esta é a culminância da dor humana e por isso sempre se confunde com a Morte. Entretanto, nem podemos apostar que a Morte seja um cessar ou um alívio, pois resta solucionarmos o enigma do Inferno, e até o de um Paraíso indesejado...

(Alma Welt)

 A melhor lista dos defeitos de caráter ainda é "Os Sete Pecados Capitais".

(Alma Welt)

 É sabido que o vício do cigarro comum é uma grave dependência química de uma droga tóxica, a nicotina. Nesse sentido há uma sutil deterioração do caráter do usuário ao longo dos anos. Tão sutil e lenta que em geral passa despercebida. No mínimo o indivíduo vai se enfraquecendo animicamente por estar, desapercebidamente, num estado de escravidão psíquica...

(Alma Welt)
Nota
Sei que haverá protestos e reações dos amigos fumantes. Sinto muito...

 O nosso envelhecimento não se assemelha a um castelo de cartas, que desmorona de súbito e totalmente. Assemelha-se, sim, a um castelo de areia minado lentamente pela maré. Por quê sempre um castelo? Ah! Não por empáfia ou arrogância, mas para nos conferirmos certa dignidade, certa nobreza ingênua...

(Alma Welt)

 Sonhei que estava na beira de um rio, e abaixei-me pra beber de sua água cristalina. Então chegou Deus do lado de cima do rio e me disse zangado: "Ah! Então és tu que estás turvando as minhas águas?" Tremendo eu disse: Senhor como posso estar sujando as Vossas águas se estou tão abaixo de Vós no curso do rio? E Deus, irritado respondeu: "Ah! Se não foste tu, foram os teus antepassados, que comeram a minha fruta e poluíram minhas águas..." E Deus estava quase me comendo quando eu disse: "Senhor, fui criada por Vós, não vos lembrais? Sou Alma, e me fizestes tão bela... Vais destruir a vossa obra?"

E Deus parou, olhou-me bem, e se afastou.

Uffff! Escapei por pouco...
(Alma Welt)
Claudino Nobrega

sábado, 31 de julho de 2021

 Construir uma visão de mundo é essencial para um artista pintor ou mesmo escritor fantasista, desde que essa visão seja fundamentada num forte senso de realidade. Mas o que é senso de realidade num artista? Por incrível que pareça é o simples "senso comum". Quando o artista não o perde de vista nos seus arroubos, mantendo um firme "pé na terra", isto é, na Natureza, ainda que transfigurada em seus signos, o público o reconhece. E o aplaude.

(Alma Welt)

OUTRO TRECHO DO DIÁRIO JUVENIL DA ALMA WELT

"Minha irmã Solange me persegue, como sempre. Tem ciúmes de mim, já que todos nesta casa gostam de mim de maneira tão intensa, com exceção dela e da Mutti. Como vê, meu futuro leitor, estou ganhando: tenho o voto da maioria. Entretanto, a perseguição e as pequenas maldades da Solange e a incompreensão de minha mãe me magoam, não posso negar, embora não possam fazer da minha vida um Inferno. Estou no lucro, "tenho uma boa mão" (como ouvi o Rodo falar uma vez). Meu irmãozinho querido, que enxerga a vida pelo viés do jogo do poker, tendo tão cedo o dom do blefe, que ele tentou em vão me ensinar...

(Alma Welt)

 Para escrever bem e ser lido, além de uma cultura literária sólida, fundamentada nos clássicos, basta, paradoxalmente, o escritor não perder de vista o leitor comum, desprovido dessa mesma cultura. Não quero dizer com isso que o escritor deva fazer "concessões por baixo". Simplesmente, enquanto escreve no palco, simultaneamente colocar-se numa plateia comum de si mesmo, ou nas galerias e não somente no balcão nobre...

(Alma Welt)

OUTRO TRECHO DO DIÁRIO JUVENIL DA ALMA WELT

"Hoje cavalguei minha eguinha até bem longe do casarão até perdê-lo de vista pelo ondulado da coxilha, numa pequena aventura. Nunca me senti tão livre. Mas a verdade é que me perdi e que o Galdério, mandado pela Mutti foi a cavalo com o Dobi, nosso cão farejador, ao meu encalço, me encontrou, e me escoltou de volta. A Mutti fez um escândalo no meu retorno conclamando o Vati a me punir, gritando: "Esta guria vai me matar! Ela não tem ideia dos perigos destes pagos malditos. Temos de interná-la naquele colégio em Novo Hamburgo, antes que aconteça uma desgraça por aqui!" O Vati, abanou a cabeça e disse: "Mulher, não farei isso. Basta alertá-la contra os perigos, sem escandalizá-la. Não quero que ela se torne uma mulher medrosa como tu mesma." Disse isso de uma forma tão mansa e firme, que minha mãe calou-se." Com dois homens fortes como o Vati e o fiel Galdério, nosso "faz-tudo", nesta casa, eu me sinto segura. Já o Rodo, meu irmãozinho aventureiro, piscou para mim com cumplicidade. Entendi que da próxima vez fugiremos juntos... "

(Alma Welt)

UM TRECHO DO DIÁRIO JUVENIL DA ALMA WELT

"Já me convenci de que Deus existe mesmo. Só me resta ainda começar a ter fé n'Ele. Me disseram que é mais fácil começar por Jesus Cristo, por suas inegáveis qualidades humanas, apesar de sua mística... Hoje reli os Evangelhos. Amei. Achei que Jesus era um excepcional poeta e contador de estórias. Tanto, que acho que ele era mesmo filho de Deus..."

( Alma Welt)

sexta-feira, 5 de março de 2021

O mistério das línguas... Seria isto o suficiente para comprovar a origem divina da criação da humanidade.
(Alma Welt)
Se Deus existe? Deus e os anjos são uma necessidade poética absoluta.(Alma Welt)

Comunismo

O comunismo? Nada mais perigoso que a pieguice de assassinos "bem intencionados". Sempre dá em genocídio.
(Alma Welt)

DITADOS REFORMADOS (de Alma Welt)



1. Se a vida lhe deu um limão você pode fazer uma limonada, desde que a vida lhe tenha dado também o açúcar. 2. Para baixo todos são fajutas.
3. A esperança é a última que morre porque você morre antes.

4. Cão que ladra avisa: é ladrão.

5. Mais vale um pássaro no mamão do que bicando a tua mão.

6. O seguro matou o velho.

7. Do mundo nada se leva a não ser aquele terno que você não usava mais.

8. O bode espiatório era o único que não espiava.

9. O homem não nasceu só para viver, é preciso algo mais.

10. A inveja matou quem? Abel, coitado, não Caim...

11. Há quem não consiga enganar um bobo nem na casca do ovo.2. Devagar se vai ao longe mas lá se chega atrasado.

12. Falar é prata, o silêncio é ouro, mas escolher a hora de cada um, é puro diamante.

13. Tem gente cuja boca é um túmulo, quer dizer: um sepulcro cariado.

14. A consciência é um grilo falante, mas para alguns é uma barata cascuda.

15. Atire a primeira pedra quem não tiver telhado de vidro.

16. Os últimos serão os primeiros, na fila do dia seguinte.

17. A vingança é um prato que se come frio, mas dê uma cheiradinha antes para ver se não está passado...

18. Quem vive pela espada, agora morre a tiros.

19. O poder corrompe, mas a impotência também.

20. Reconhecer o erro é fácil. Corrigi-lo é que são elas.

21. Perdoe o teu inimigo, mas não lhe vire as costas.

QUANDO A INTELIGÊNCIA É OBLITERADA (de Alma Welt)

Na sua interessante autobiografia intitulada "Confesso que vivi", o poeta chileno Pablo Neruda 1904-1973 (premio Nobel de Literatura de 1971) tem uma passagem infeliz quando revela com orgulho sua indignação e repulsa durante uma visita a um castelo inglês convidado pelo herdeiro, diante do manuscrito original autografado do célebre poema IF (Se) de Rudyard Kipling 1865-1936 (premio Nobel de 1907). Neruda assim se expressou diante do original emoldurado, numa parede, exibido como preciosidade: "Aquele poema imundo...". A mente revolucionária comunista, como de costume cheia de preconceitos, não conseguia perceber a beleza e a dignidade daquele código de conduta honrosa da mentalidade vitoriana inglesa, cheia da coragem e hombridade que conquistou um Império. Ao ler essa passagem percebi que Neruda via naquele poema apenas a antítese de seu socialismo pretensamente anti-imperialista, sem perceber o contexto histórico e a beleza intrínseca daquela poema apesar de essencialmente conceitual, coisa a que a poesia de Neruda também não escapa no seu marxismo ostensivo ou de entrelinhas.

A propósito: Neruda era stalinista, e admirava o maior genocida daqueles tempos.
Sim, o comunismo oblitera a inteligência até dos melhores...
(Alma Welt)
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Nota
Eis o poema IF (SE) de Rudyard Kipling na excelente tradução do Guilherme de Almeida 1890-1969, chamado o (quarto) "Príncipe dos Poetas Brasileiros".
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!
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Por minha vez, apesar de admirar o poema de Kipling, me permiti fazer uma ligeira paródia dele no meu soneto IF:

IF (de Alma Welt)

Se do amor não te sobrou nenhuma flor
E seus acordes já nem soam, de vazios;
Se a lembrança não guardou nem o rancor
No teus vagos sonhos falsos, erradios;

Se teu maestro caiu da platibanda
E fincou-se-lhe a batuta no umbigo;
Se o teu fiel cachorro te debanda
Ou passou-se para o lado do inimigo;

Se tua hora da verdade é só mentira
E te descobres nem corda nem caçamba,
A pensar como o mundo roda e gira...

Então, meu amigo, foste humano:
Colecionas fracassos pra caramba,
E já podes ir pra casa a todo pano...
.
22/09/2013







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

UNIVERSOS PARALELOS (de Alma Welt)

A meu ver os sonhos são nossas visões fragmentárias de um universo paralelo. Por isso neles nos vemos em lugares estranhos em que nunca estivemos e em situações que nunca vivemos. Quando alguns desses sonhos permitem alguma interpretação coerente é porque ainda somos nós, nesse outro universo estranho. Mas em geral essas visões não fazem nenhum sentido em relação ao nosso atual contexto, e algumas interpretações psicanalíticas são forçadas e até charlatanescas. Para realmente sabermos do que se tratam, seria preciso conhecermos o contexto desses fragmentos de situações ocorridas conosco, lá, naquele universo, que vistas de cá nos desnorteiam. É bom lembrar que a Física Quântica corrobora essa noção de universos paralelos, e esses físicos chegam a dizer (pasmem) que são em número de onze (!!!). Onze? Por quê? Como chegaram a esse número? Isso sim, me parece estranho...

(Alma Welt)


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

 Fui tão agraciada pela vida, que quando fico triste fico também envergonhada.

(Alma Welt)