sexta-feira, 5 de março de 2021

O mistério das línguas... Seria isto o suficiente para comprovar a origem divina da criação da humanidade.
(Alma Welt)
Se Deus existe? Deus e os anjos são uma necessidade poética absoluta.(Alma Welt)

Comunismo

O comunismo? Nada mais perigoso que a pieguice de assassinos "bem intencionados". Sempre dá em genocídio.
(Alma Welt)

DITADOS REFORMADOS (de Alma Welt)



1. Se a vida lhe deu um limão você pode fazer uma limonada, desde que a vida lhe tenha dado também o açúcar. 2. Para baixo todos são fajutas.
3. A esperança é a última que morre porque você morre antes.

4. Cão que ladra avisa: é ladrão.

5. Mais vale um pássaro no mamão do que bicando a tua mão.

6. O seguro matou o velho.

7. Do mundo nada se leva a não ser aquele terno que você não usava mais.

8. O bode espiatório era o único que não espiava.

9. O homem não nasceu só para viver, é preciso algo mais.

10. A inveja matou quem? Abel, coitado, não Caim...

11. Há quem não consiga enganar um bobo nem na casca do ovo.2. Devagar se vai ao longe mas lá se chega atrasado.

12. Falar é prata, o silêncio é ouro, mas escolher a hora de cada um, é puro diamante.

13. Tem gente cuja boca é um túmulo, quer dizer: um sepulcro cariado.

14. A consciência é um grilo falante, mas para alguns é uma barata cascuda.

15. Atire a primeira pedra quem não tiver telhado de vidro.

16. Os últimos serão os primeiros, na fila do dia seguinte.

17. A vingança é um prato que se come frio, mas dê uma cheiradinha antes para ver se não está passado...

18. Quem vive pela espada, agora morre a tiros.

19. O poder corrompe, mas a impotência também.

20. Reconhecer o erro é fácil. Corrigi-lo é que são elas.

21. Perdoe o teu inimigo, mas não lhe vire as costas.

QUANDO A INTELIGÊNCIA É OBLITERADA (de Alma Welt)

Na sua interessante autobiografia intitulada "Confesso que vivi", o poeta chileno Pablo Neruda 1904-1973 (premio Nobel de Literatura de 1971) tem uma passagem infeliz quando revela com orgulho sua indignação e repulsa durante uma visita a um castelo inglês convidado pelo herdeiro, diante do manuscrito original autografado do célebre poema IF (Se) de Rudyard Kipling 1865-1936 (premio Nobel de 1907). Neruda assim se expressou diante do original emoldurado, numa parede, exibido como preciosidade: "Aquele poema imundo...". A mente revolucionária comunista, como de costume cheia de preconceitos, não conseguia perceber a beleza e a dignidade daquele código de conduta honrosa da mentalidade vitoriana inglesa, cheia da coragem e hombridade que conquistou um Império. Ao ler essa passagem percebi que Neruda via naquele poema apenas a antítese de seu socialismo pretensamente anti-imperialista, sem perceber o contexto histórico e a beleza intrínseca daquela poema apesar de essencialmente conceitual, coisa a que a poesia de Neruda também não escapa no seu marxismo ostensivo ou de entrelinhas.

A propósito: Neruda era stalinista, e admirava o maior genocida daqueles tempos.
Sim, o comunismo oblitera a inteligência até dos melhores...
(Alma Welt)
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Nota
Eis o poema IF (SE) de Rudyard Kipling na excelente tradução do Guilherme de Almeida 1890-1969, chamado o (quarto) "Príncipe dos Poetas Brasileiros".
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!
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Por minha vez, apesar de admirar o poema de Kipling, me permiti fazer uma ligeira paródia dele no meu soneto IF:

IF (de Alma Welt)

Se do amor não te sobrou nenhuma flor
E seus acordes já nem soam, de vazios;
Se a lembrança não guardou nem o rancor
No teus vagos sonhos falsos, erradios;

Se teu maestro caiu da platibanda
E fincou-se-lhe a batuta no umbigo;
Se o teu fiel cachorro te debanda
Ou passou-se para o lado do inimigo;

Se tua hora da verdade é só mentira
E te descobres nem corda nem caçamba,
A pensar como o mundo roda e gira...

Então, meu amigo, foste humano:
Colecionas fracassos pra caramba,
E já podes ir pra casa a todo pano...
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22/09/2013