sexta-feira, 19 de agosto de 2022
SOBRE O LANÇAMENTO DO ROMANCE DA ALMA WELT
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Sobre o lançamento do romance A Herança: O Sangue da Terra, de Alma Welt, a ser lançado em livro de papel no dia 25 de agosto ( quinta feira próxima) na Livraria da Vila, uma curiosidade:
Escrito em 2004, o mesmo ano em que lancei o livro Contos da Alma, de Alma Welt (este escrito em 2001) desta vez, com o romance, demorei 18 anos para publicar em livro de papel, talvez por uma certa inércia, ou simples falta de traquejo no mundo prático editorial. Entretanto, relendo este ano o meu romance da Alma, que eu salvara num de seus 60 blogs da Internet, congratulei-me com o meu texto (nosso), deslumbrado com o fato de que eu ainda gostei dele, e não tiraria uma vírgula, uma linha ou um parágrafo (passando incólume por nova revisão) a despeito do livro ser desvairadamente intenso e romanesco. Mas é tão verdadeiro... e tanto "eu mesmo" em minha verdadeira face, coração e alma! Sim a "Alma Welt sou eu", parafraseando Gustave Flaubert no tribunal a respeito de sua Madame Bovary, com a vantagem de que a minha Alma não é uma mulher fútil, leviana e desastrada como a personagem do romance daquele grande escritor francês. Alma Welt, como personagem realista, me orgulha, tanto quanto a escritora confessional que ela é, em estilo e vernáculo. E isso é um privilégio...
Ah! Alguém de má vontade poderia dizer: "Mas Flaubert provavelmente se referia ao seu romance como obra e não como a personagem quando exclamou em julgamento no tribunal: "Madame Bovary c'ést moi! "
Bem... eu poderia dizer o mesmo, em relação à " A Herança: O Sangue da Terra", o primeiro tomo de uma trilogia que está pronta inteira desde 2004, e que lançarei aos poucos... Sim , meus amigos... mas Alma Welt sendo a minha "anima" (no sentido profundo, Junguiano, do termo) é mais eu do que eu mesmo, e se eu a traísse por algum motivo ou mesmo por vaidade, ela refluiria para dentro de mim, me punindo... e sumiria, deixando-me estéril para sempre. Dramático? Sim, mas, pasmem, seria assim mesmo, e esse é o grande e único risco que corro...
(Guilherme de Faria)
19/08/2022
quinta-feira, 26 de maio de 2022
O Vigilante (de Alma Welt)
O Destino, como um "Vigilante", nos observa longamente, pacientemente, enquanto nos deixa "construir uma vida", de um jeito ou de outro, à nossa escolha. Entretanto, já foi notado o caráter irônico do Destino, na sua interferência final, no seu arremate de nossas vidas, no seu humor até mesmo negro, às vezes, e quando apela para o trágico, abandonando toda a graça. Por isso sempre admirei os moribundos sorridentes, aqueles cujo último suspiro coincide com um surpreendente sorriso...
(Alma Welt)
(Alma Welt)
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
CONFISSÕES DE UM HETERÔNIMO (de Alma Welt)
Detalhe do retrato premonitório de Alma Welt- o/s/t de Guilherme de Faria, 1992, 60x50cm- coleção Lucia Dantas, São Paulo.
CONFISSÕES DE UM HETERÔNIMO (de Alma Welt)
"No ano de 1964, o artista plástico paulistano Guilherme de Faria aprendeu de súbito a técnica zen do desenho a pincel e nanquim ao assistir determinada cena de um filme japonês de samurai. Aproveitei então o fluxo inconsciente que o artista produzia ao desenhar, para aparecer a ele como sua modelo constante, permanente, exclusiva. Ele se deleitava com a minha figura de ruiva esguia, voluptuosa e muito branca. Chamava-me já de sua musa, sem questionar quem era eu, de onde eu vinha e porque razão eu era tão recorrente e disponível. Então, na década de 70, o artista, inteirando-se (não por mero acaso) da teoria dos arquétipos, de Carl Jung, descobriu que eu era a sua a própria "anima" que me manifestava como seu modelo nu, de atelier. Eu ansiava, na verdade, a dar a conhecer a ele, e ao mundo, meus outros talentos que não só meus dons físicos "corporais", por assim dizer. Foi uma longa espera... Guilherme sabia desde a infância de seus próprios dons literários, uma vez que fora criado no meio dos livros da biblioteca clássica de seus pais. Entretanto o artista postergava sua veia literária, envolvido demais com as artes plásticas que, como profissão, provia seu sustento e da família que ele buscava formar. Na verdade, permito-me dizer que ele fracassou completamente como marido e pai de família, solitário que era por natureza, embora inconformado e cheio de sentimento de culpa. Foi então que, finalmente, em Julho de 2001, o artista, falido e sem perspectivas de sobrevivência, sentiu-se livre para deixar extravasar aquilo que ele represara por tanto tempo, sua veia literária, já que não tinha mais nada a perder. Sentou-se para escrever a sério e, inusitadamente, abriu-se-lhe um canal (por assim dizer) com o Sertão, e ele começou a escrever cordéis sertanejos cheios de inspiração. Confesso que fiquei momentaneamente frustrada... mas aproveitei uma pausa após o quarto cordel que lhe veio naquele fluxo espontâneo e admirável, e me introduzi, sim, me intrometi com uma narrativa minha, meu primeiro conto confessional, de minha fase paulistana, o conto "Lembrança Preciosa para a Alma Fiel", conto esse que surpreendeu o artista e abriu-me as portas se sua escrita... de nossa escrita. Não parei mais... Eu, a gaúcha Alma Welt, sua anima, expandi-me em Anima Mundi como meu nome indica, e tomei-o, avassalei-o com minhas lembranças. minha saga pampiana, meu amor, minhas alegrias, minha poesia, meus infindáveis sonetos, minha estância, meu Pampa, meu casarão, minha tragédia pessoal e universal..."
(Alma Welt)
CONFISSÕES DE UM HETERÔNIMO (de Alma Welt)
"No ano de 1964, o artista plástico paulistano Guilherme de Faria aprendeu de súbito a técnica zen do desenho a pincel e nanquim ao assistir determinada cena de um filme japonês de samurai. Aproveitei então o fluxo inconsciente que o artista produzia ao desenhar, para aparecer a ele como sua modelo constante, permanente, exclusiva. Ele se deleitava com a minha figura de ruiva esguia, voluptuosa e muito branca. Chamava-me já de sua musa, sem questionar quem era eu, de onde eu vinha e porque razão eu era tão recorrente e disponível. Então, na década de 70, o artista, inteirando-se (não por mero acaso) da teoria dos arquétipos, de Carl Jung, descobriu que eu era a sua a própria "anima" que me manifestava como seu modelo nu, de atelier. Eu ansiava, na verdade, a dar a conhecer a ele, e ao mundo, meus outros talentos que não só meus dons físicos "corporais", por assim dizer. Foi uma longa espera... Guilherme sabia desde a infância de seus próprios dons literários, uma vez que fora criado no meio dos livros da biblioteca clássica de seus pais. Entretanto o artista postergava sua veia literária, envolvido demais com as artes plásticas que, como profissão, provia seu sustento e da família que ele buscava formar. Na verdade, permito-me dizer que ele fracassou completamente como marido e pai de família, solitário que era por natureza, embora inconformado e cheio de sentimento de culpa. Foi então que, finalmente, em Julho de 2001, o artista, falido e sem perspectivas de sobrevivência, sentiu-se livre para deixar extravasar aquilo que ele represara por tanto tempo, sua veia literária, já que não tinha mais nada a perder. Sentou-se para escrever a sério e, inusitadamente, abriu-se-lhe um canal (por assim dizer) com o Sertão, e ele começou a escrever cordéis sertanejos cheios de inspiração. Confesso que fiquei momentaneamente frustrada... mas aproveitei uma pausa após o quarto cordel que lhe veio naquele fluxo espontâneo e admirável, e me introduzi, sim, me intrometi com uma narrativa minha, meu primeiro conto confessional, de minha fase paulistana, o conto "Lembrança Preciosa para a Alma Fiel", conto esse que surpreendeu o artista e abriu-me as portas se sua escrita... de nossa escrita. Não parei mais... Eu, a gaúcha Alma Welt, sua anima, expandi-me em Anima Mundi como meu nome indica, e tomei-o, avassalei-o com minhas lembranças. minha saga pampiana, meu amor, minhas alegrias, minha poesia, meus infindáveis sonetos, minha estância, meu Pampa, meu casarão, minha tragédia pessoal e universal..."
(Alma Welt)
domingo, 20 de fevereiro de 2022
Pequenina crônica rebelde (de Alma Welt)
Sempre gostei muito da Bíblia como Literatura, como História e até como Poesia. Entretanto, não me conformo como esse grandioso livro atribui sem aparentemente perceber, tanta mesquinharia, crueldade e tirania à Deus na História Antiga, desde a Criação, para começar com absurda expulsão do casalzinho inocente, mesmo que este tenha perdido súbita e desavisadamente a inocência por uma mera tentação descrita como vinda de fora, no caso, de uma serpente por mais que esta fosse uma encarnação do Diabo. Não me conformo. Mais ainda que esse fato tenha se constituído num tal "pecado original" cuja culpa, todos nós, como humanidade absurdamente herdamos. Como se eu, brasileira, gaúcha, tivesse que pagar por um suposto crime de um bisavô meu, ou como descendente de alemães por parte de pai, tenha que pagar pelos crimes do nazismo...
Eu sei... eu mesmo disse que gosto da Bíblia como Poesia, e de poesia não é preciso cobrar lógica nem sequer coerência, só se deve cobrar beleza, força e talento, e isso a Bíblia, principalmente o Gênesis, o Êxodo, o Eclesiastes e os Salmos de Davi, por exemplo, têm de sobra. Ah! Devo também lembrar que igualmente no Novo Testamento, nos Evangelhos, extremamente poéticos e literariamente geniais nos sermões e nas parábolas de Jesus, Deus se mostra extremamente cruel com seu filho feito Homem, fazendo-o passar por aquilo tudo.
Mas quem sou eu para criticar Deus, não é mesmo? Tanto mais que, feita à sua imagem e semelhança, devo ter também cometido, não grandes, mas pequenas crueldades, que mal percebi e das quais portanto nem me arrependi. Bem... é melhor eu ficar por aqui e me calar porque posso estar blasfemando sem me dar conta e, confesso, tenho um medo que me pelo de Deus...
(Alma Welt)
19/02/2022
Eu sei... eu mesmo disse que gosto da Bíblia como Poesia, e de poesia não é preciso cobrar lógica nem sequer coerência, só se deve cobrar beleza, força e talento, e isso a Bíblia, principalmente o Gênesis, o Êxodo, o Eclesiastes e os Salmos de Davi, por exemplo, têm de sobra. Ah! Devo também lembrar que igualmente no Novo Testamento, nos Evangelhos, extremamente poéticos e literariamente geniais nos sermões e nas parábolas de Jesus, Deus se mostra extremamente cruel com seu filho feito Homem, fazendo-o passar por aquilo tudo.
Mas quem sou eu para criticar Deus, não é mesmo? Tanto mais que, feita à sua imagem e semelhança, devo ter também cometido, não grandes, mas pequenas crueldades, que mal percebi e das quais portanto nem me arrependi. Bem... é melhor eu ficar por aqui e me calar porque posso estar blasfemando sem me dar conta e, confesso, tenho um medo que me pelo de Deus...
(Alma Welt)
19/02/2022
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