"Quando, no meu autoexílio escolhido com a morte do Vati (pr. Fáti - Papai) fui viver na Pauliceia, eu só a conhecia através das obras do Mario de Andrade. Foi um choque, eu estava defasada, São Paulo não parecia mais nada daquilo, e eu custei a sintonizar-me com sua nova poesia, mais oculta, menos evidente. Para se conhecer São Paulo era preciso um intérprete, um outro poeta contemporâneo, que fosse paulista e que amasse aquela cidade difícil. O pintor e gravador Guilherme de Faria que me descobriu atarantada, disse não poder fazê-lo, mas me apresentou os sambas de Paulo Vanzolini e Adoniran Barbosa, que a princípio, apesar de nostálgicos me pareceram meio caricatos. Então percebi que o encanto de São Paulo, sua poesia, é essa mesma: uma auto-ironia cheia de saudades do seu passado provinciano, em meio a uma sofreguidão de progresso. Quando desvendei aquela cidade, escrevi meu livro confessional de contos urbanos paulistanos, os Contos da Alma, de Alma Welt, e deixei a cargo do Guilherme lançá-lo. O livro foi saudado pelo poeta Paulo Bomfim e pelo bibliófilo Dr.José Mindlin. Era o suficiente, e corri para o meu Pampa que eu não deixaria nunca mais..."
(ALMA WELT)
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